sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Meus 33 anos

Sempre quis fazer algo incrível no meu ano sabático. Já havia pensado em algumas idéias, mas o que aconteceu foi realmente impressionante. E não foi planejado, foi fluido e tão lindo como a sagrada dança do Universo. Só tenho a Agradecer pela experiência divina de ter vivenciado esse ano com tanta consciência e serviço. Comecei numa fazenda Maravilhosa, a mais bela de todas as 17 que passamos na nossa jornada, o Jardim mais encantado, desses mais lindos que de filmes, desses tão maravilhosos que me arrepiam e fazem sair lágrimas dos olhos... Comemorei com a presença de minha melhor amiga, e ganhei um oráculo do coração que trouxe tantas curas e presentes lindos e um banho de banheira com rosas com uma vista incrível do  tal Jardim encantado, ganhei cartões postais da equipe do jardim, e da nossa host com fotos das mandalas de alimentos da última  exposição de arte, ( essa que queria tanto ver, mas era apenas em outubro) ganhei uma proposta para cozinhar no evento de arte, sim esse que queria tanto ver e isso me gerou o dinheiro para poder ir a India ( que não estava nos planos mas houve o chamado do mestre e em seguida o dinheiro inesperado). Passamos 15 dias na Ilha de Eigg, uma grande vontade desde que assisti ao documentário sobre ela no BBC. Uma ilha comprada por crowfounding pela comunidade que transformou tudo em orgânico e sustentável, com praias e cavernas paradisíacas , fomos a Findhorn, participei do curso de dança que tanto queria, Conheci a arvore de pistache, a moita da alcaparra,florestas de alfarroba, tantas flores novas comestíveis, pancs europeias, Aprendi Françês, Fui a India Participei da maior meditação do mundo com mais de 3.5 milhões de pessoas, me banhei nas mais belas cachoeiras do País de Gales, me purifiquei nas águas sagradas do rio Ganges, e nadei no mar adriático paradisíaco da Croácia,
Andei milhas e quilômetros, e cada passo ganhou um novo significado após o compartilhar da pelegrinação de Satish Kumar no curso de Gandhi e Globalização. Colhi trigo e carreguei na cabeça como fazem as Indianas, aprendi o valor e o sagrada força das sementes. Plantei, como nunca plantei em toda minha vida, de sementes, a mudas, estacas, arvores, revolvi muita terra, tirei pedras do caminho, reguei, rezei para chover, aprendi que o planejamento de qualquer fazenda está intimamente relacionado a previsão do tempo, ciclos da lua e natureza. Colhi abundância, como é generosa essa tal natureza, difícil compreender a falta criada nos grandes centros. Andamos de carro, de ônibus de trêm, tram, Metrô, barco, veleiro, cruzeiro, avião, bicicleta, carona, sleeper bus, tuc,tuc e a pé.. devagar se vai ao longe, muito mais importante é a direção que a velocidade.
Descobri que existem pessoas vivendo da maneira que acredito ser melhor para o planeta, pessoas coerentes, que valorizam o planeta a natureza e a sustentabilidade isso me trouxe tanta esperança!
Aprendi que a comida é muito mais saborosa quando é fresca e recém colhida,que o pão é coisa séria na frança, e que maravilhoso poder fazer tantos pães, baguetes, brioches, croissants, milhares de tipos... de Milhares de tipos de grãos desde seu cultivo, colheita, estoque, moagem, farinha e pão assado sempre em forno a lenha. A falta de frutas no inverno traz a sabedoria e arte das conservas. Quanto aprendemos...
Passei o Natal com minha família, Fui a Bahia para um casamento especial da família do coração, bebi água de coco, tapioca, açaí... bolinho de estudante, pãozinho delícia e sambamos todas as coisas lindas que a Bahia tem! Fui no forró, Passamos a virada do ano na Chapada dos veadeiros, com muitos amigos queridos, e banhos de cachoeira na casa da avó do melhor amigo do Joaquim.
Fiz muita arte, aprendi a trançar cestas, desde o plantio e colheita das fibras, fiz filtros dos sonhos, pintei muros, fiz mosaico, retomei o Tricô, com auxílio da estimada Tia Lourdes que me lembra tanto minha queria avó, fiz sapatos, gorros e blusas que tanto nos aqueceram em dias frios na Inglaterra e comecei o crochê...arrisquei agulha circular mesmo ficando perdida nas primeiras voltas...Conheci agulha de tricô com ponta de crochê
Realizei um grande sonho de construir uma casa, construímos desde a base, uma cabana redonda, fundação em pedra, murro de terra palha e telhado reciproco. Construímos muros de pedras secos e molhados, aprendi a fazer concreto natural e de verdade, aprendi a serra madeira, usar parafusadeira e que fazer construções é mais simples do que se parece mais se gasta muuuita energia. 
Moramos em caravanas, Yurtas, Cotages, Casas centenárias de pedra, em pequenos vilarejos, em cidades mais populosas do mundo, dormimos no chão, compartilhamos a casa com mais 20 pessoas ( graças ao Universo 11 eram conhecidas!), Acampamos com vista para o mar num olival, dormimos em cima de um antigo Pub, e no sótão de uma casa vitoriana de 1700, dormimos no carro, dormimos em sofás cama, em cabanas bioconstruidas.
Respirei e meditei todos os dias, fiz massagens e tratamentos auyrvedicos, fiz retiro de silêncio, performei poojas de gratidão, aprendi orações de poder, curei meu bruxismo pela internet, vivenciei milagres, fiz yoga, dei aulas, participei do Hapiness, fui abençoada, me liberei de antigos padrões e me dei conta de tantos outros, me aceito cada dia um pouquinho mais. Amo cada dia mais o Universo, meu grande e querido amigo. Fui no médico e no dentista para visita-los pois os amo demais e os considero grades sábios. Recebemos elogios da nossa saúde. Ahh sim não tive nadinha de nada... talvez uma dor de garganta aqui e uma dor de cabeça ali, e alguns cortes de cozinha e jardim e queimadinhos de forno...

Tive perdas, mas celebrei encarei elas de diferentes maneiras *brilha, brilha, dança e brilha*. Perdi coisas, ganhei outras e reencontrei o que era realmente meu, nem que precisasse cruzar continentes.

Não peguei trânsito, respirei 90% de ar puro, comemos 85% da dieta orgânica, fique 1 mês sem comer açúcar,  não tomo mais banho todos os dias, e posso usar a mesma roupa por uma semana inteira, não fui nenhuma vez ao salão de beleza, e me acho mais linda do que nunca . cortei meu cabelo com uma grande amiga no  jardim de sua casa, me troquei no banheiro do avião para ir ao casamento.  Fui ao Brasil e voltei apenas com uma mala de mão e sigo viajando desde maio apenas com ela. E ainda assim acho que poderia viajar com menos.
Me desapeguei muito das coisas materiais, acho a propriedade e o senso de privado são no fundo uma ilusão e vejo tantos problemas criados por essa falsa ilusão, Vejo e vivo a beleza do compartilhar e a capacidade de criar realidades através de uma yes mind, através da fé, através da gratidão.
Aprendi que no fundo o mundo não tem barreiras, estamos todos conectados e cada vez mais pessoas estão se dando conta que a felicidade e a paz estão dentro delas mesmas, e que não há dinheiro no mundo capaz de comprá-las. Com certeza as melhores coisas da vida não são coisas e me considero extremamente afortunada por ter uma abundância de amigos e família que me possibilitam viver nessa rede de amor e alegria que é o compartilhar. Que todos os seres sejam felizes,Que todosos seres sejam livres de doenças,   que todos os seres realizem o que é bom, que ninguém seja submetido a tristeza. Paz interior, paz entre as pessoas e paz universal! Que assim seja, que assim já é! Aho

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Acerto de contas

Realmente rola esse dilema quando se pensa em viajar, ainda mais para o exterior...A primeira coisa que pensamos e na quantidade enorme de dinheiro que temos que ter.
Claro que nossa viagem aqui é bem diferente das demais, mas existem um amplo leque de viagens mais alternativas aonde é possível sim gastar muito, muito pouco e ter experiências incríveis!
No nosso caso estamos gastando menos de um terço do que costumávamos gastar em São Paulo, fazendo as conversões para a moeda local, as vezes até 6x1 e isso porque estamos nos permitindo alguns luxos, como alugar carros, visitar novos lugares, experimentar comida local, dar presentes ao Joaquim.
E qual a diferença!? A diferença é que estamos levando uma vida muito mais saudável, 70% da nossa dieta é orgânica, muitas vezes recém colhida, estamos praticando atividades físicas diariamente, respiramos ar puro, bebemos água de nascente, não pegamos trânsito, estamos o tempo todo com Joaquim acompanhando cada momento de seu crescimento, conhecendo lugares incríveis, vistas paradisíacas, cada dia aprendemos algo novo e realmente útil para a vida, para a saúde, conhecemos e apoiamos pessoas inspiradoras, estamos a serviço da comunidade e do planeta, e não mais apenas ao nosso ego empreendedor, temos tempo para apreciarmos o por do sol, vermos as estrelas, andamos milhas e milhas, em trilhas, em praias, montanhas, cachoeiras, cavernas, lagos, florestas, campos e plantações e  podemos circular livremente pelos vilarejos, não é preciso se preocupar com a violência, honestidade aqui impera, e até chega a nos assustar! (Tamanha a confiança na ética das pessoas, a quantidade de lojas e vendinhas que são "auto geridas" ou seja os produtos estão ali com a tabela de preço e tem latinhas para colocar o dinheiro... e ninguém olhando! e nada filmando)
Já estamos viajando há 5 meses, passamos por Portugal, Inglaterra, pais de Gales e Escócia. Muitos nos perguntam sobre os nossos gastos, como estamos nos mantendo, e tals. Como estamos basicamente fazendo wwofing ( programa de voluntariado e incentivo aos produtores orgânicos) Não temos custo algum na maior parte do tempo, pois temos acomodação e alimentação garantidas pelas nossas horas de trabalho na fazenda. Sendo assim temos apenas os custos de transporte de uma fazenda a outra.  estamos com uma média de gasto de 12 euros por dia ( Para nós 3) ( isso porque estamos há 4 meses no reino Unido gastando em Pounds, moeda mais cara do mundo, e aonde a locomoção é caríssima!) Não é incrível? É muuito menos do que apenas estar em São Paulo, com os custos altíssimos de aluguel, contas, funcionários e serviços. Fora que uma vez que se está nas fazendas aparecem inclusive oportunidades de ganhar dinheiro. Conhecemos muito wwoofers que fazem acordos com os proprietários e trabalham alguns dias recebendo, tem gente fazendo wwoofing há 9 meses na mesma fazenda ( trabalha 2 como wwoofer, 1 pago e tem 4 dias livres acomodação e alimentação.)
Tem gente que já fez tanto wwoof que é considerado Profissional, tem tanta experiência que são contratados para determinadas funções nas fazendas dos hosts.
Inclusive nós já tivemos essa incrível oportunidade! Em uma das fazendas durante outubro tivemos em uma grande exposição de arte que precisavam de uma pessoa para cozinhar para o evento!  Não estava nos planos, mas adoramos a oportunidade e voltamos a Inglaterra para esse lindo Job!
Tudo começou com o fim de um sonho que se tornara mais um pesadelo... a falência finaceira do restaurante juntando com a enorme vontade do Pedro de fazer essa viagem, de vivenciar a europa e a vida rural, e o conhecimento desse programa WWOOF que permite que nós e muitas outras pessoas realizem o sonho de viver valores e deixar um pouco os preços de lado.
Foi uma grande divisor de águas. Mas é bonito ver que grandes crises servem para nos auxiliar a tomar o rumo correto... Hoje sou muito grata a toda experiência do restaurante que passei, foram 3 anos de muito aprendizado, que me deram base e coragem para qualquer futuro projeto. Foi uma grande imersão no sistemão, viver o capitalismo na pele, e ver que não é isso que me nutre, não é isso que acredito. Isso deu toda força para irmos completamente para o outro lado. Inspirados por uma entrevista no Hypeness ( de um amigo meu que esta há 18 meses viajando pelo mundo sem dinheiro - http://www.hypeness.com.br/2015/01/entrevista-hypeness-o-casal-brasileiro-que-esta-vivendo-e-viajando-o-mundo-sem-dinheiro/) ele e a namorada se jogaram no universo, e estão tendo experiências incríveis.... ( há se eu tivesse meus 20 anos... sairia com essa mesma intenção Mas aos 33 com um filho de 3 achamos mais "seguro" levantar uma certa quantia. mas manter o propósito de gastar o mínimo possível.
O plano era pegar o dinheiro de um último projeto que o Pedro estava trabalhando, vender e desapegar as coisas e com esse dinheiro vir. Porém a crise econômica não era somente do restaurante, e embora o projeto tivesse sido concluído com êxito, nem sinal do pagamento. No entanto tínhamos decidido nos casar e fazer uma grande celebração que seria também uma oportunidade de nos despedirmos dos nossos queridos amigos, ai veio a idéia... Não havia motivos para queremos presentes convencionais ( afinal estávamos nos desfazendo da casa) Lembrei da economia da nova era, de crowdfunding e achei a idéia incrível, e assim fizemos pedimos contribuições para nossa viagem para nossos queridos e generosos convidados,que somado com a venda das coisas que desapegamos chegamos a um valor maior do que o projeto. ( A melhor parte é que não gastamos ainda nem metade desse dinheiro, e o dinheiro do projeto ainda não foi pago, mas está por vir, e Pedro continua trabalhando já teve mais 2 projetos enquanto estivemos aqui e um enorme está por vir.  E assim estamos viajando e vivendo com todo esse amor e contribuição de cada um de vocês que acreditam e apoiam nosso  sonho.

Está sendo uma viagem realmente diferente, celebro a cada dia que não temos que comprar nada e que não geramos lixo ou resíduo para o planeta, a grande atração são as habilidades e a rede de amor que se constrói e se amplia a cada dia Os valores , princípios e atitudes que não tem preço ( como o primeiro sorriso do dia do filho que acaba de acordar) e sim carregamos algum dinheiro para as coisas que ainda não podem ser trocadas. . 

sábado, 31 de outubro de 2015


Se jogar no google é pequenina, uma ilha dentro de uma ilha maior... sim estamos Falando de Eigg uma ilhota no norte da Escócia, Pequena no mapa, mais grande o suficiente para abrigar uma comunidade de 100 pessoas e cerca de 40 ou 50 turistas na temporada... Segundo a reportagem achamos que íamos encontrar uma comunidade vivendo lado a lado ( esquema tribal) bem hippie e que era totalmente ecológica e desconectada do mundo... Não sabíamos nem se teríamos sinal de telefone e muito menos internet... Chegando aqui uma boa surpresa... existem muitas atividades conjuntas e comunitárias, existe o centro comunitário. (chegamos no ultimo dia da exposição de artes do pessoal da Ilha, Muito lindo Os residentes expondo seus trabalhos de cremes naturais, Cestarias de willow, pinturas, livros, e quitutes deliciosos feitos pelas mulheres prendadas e servido pelas crianças da Ilha. Existe um pomar comunitário e estão reflorestando a ilha com auxilio de voluntariado e verbas do governo para plantio de arvore Nativas e estão derrubando a floresta de Pinus (exótica plantada anteriormente com auxilio do governo tmb) Optaram também por se unir na questão energética e tem a energia da ilha um mix de hidrelétrica, eólica e solar. Tem sinal de internet!! Aliás wifi é livre em muitos pontos da Ilha... A maioria dos lugares não tem senha... fica ali disponível... Próximo da escola tem um Swap Shop. Que é uma lojinha aonde todos colocam as coisas que não usam mais, e as pessoas quando precisam de algo vão lá e pegam... É tipo um charity shop mais é auto-gerido pela comunidade e não tem custo nenhum. As pessoas colocam e organizam as coisas deixadas lá e quando precisam de algo passam lá para pegar. A ilha tem uma única estrada... Ao longo dela saem as ramificações para as casas.... Cada um mora na sua fazenda, tem seu próprio negócio e muitos adaptaram seus espaços para receber pessoas e tem Bed and Breakfest ou self catering e anunciam no Air BnB. Super funciona. Inclusive a maior renda dos nossos host atualmente é o turismo.







 Eles tem uma Yurta e um chalé todo equipado para receber turistas e nessas 2 semanas que passamos aqui estiveram cheios e com troca de pessoas, conhecemos pessoas da China, Escócia, Inglaterra, Suíça, Alemanha... Ou seja existe a individualidade dentro da comunidade. Tivemos também a oportunidade de participar de uma noite mexicana no Tea room, Divertidíssimo, praticamente toda comunidade participa. Chegam todos vestidos a carácter e se sente um clima descontraído e alegre no ar.. Uma delícia. As crianças ficam soltas brincando de suas criativas invenções enquanto os adultos conversam, sorriem e saboreiam a comida mexicana feita por uma holandesa. maravilhosa Nossos hosts que já recebem wwoofers desde 2000. Tem uma mapa mundi com selinhos marcando de onde vem e já receberam pessoas de quase todo mundo lá, e 3 desses wwofers ficaram na ilha! ( descobrimos que eles são um dos maiores portais para o aumento da comunidade). Mais uma benção e no nosso último dia, nasce o dia mais lindo de todos, e fomos convidados para o aniversário de 6 anos de Maggie (uma das crianças e que se apaixonou por Joaquim e cuidou muito bem dele na Noite Mexicana. As vésperas ficamos sabendo que o tema da festa era alienígena e poderíamos ir fantasiados... Adaptamos nossas coisas e Joaquim foi de superalienigena, e eu fiz umas pinturas na cara... Chegando na fazenda, a festa era na casa mais antiga de Eigg com um visual incrível da Praia... As crianças estavam brincando na rede com alguma pintura facial, mas nenhuma grande fantasia... Agora os adultos! Ahhhh cada vez que chegava alguém era uma surpresa, muito criativos e divertidos... Proporcionaram muitas risadas e diversão. Definitivamente uma comunidade alegre, unida, que não carrega consigo o peso do coletivo como pudemos presenciar em outras comunidades aonde a vivência é mais próxima. Mas vivem um grande sonho num paraíso, Sim a ilha é Paradisíaca! Tem 4 praias, água totalmente transparente, tem formações rochosas incríveis, cachoeiras, cliffs, o



ponto mais alto da ilha An Sgurr é um chapadão com seus lagos em altitude, tem cavernas, além de todo histórico de crofting e vivência da terra...Pegamos pores do sol mais lindos... vermelho alaranjados passando para o rosa arroxeado...  Céus estreladíssimos... lindoooo, lindooooo muitas estrelas cadentes! Valeu a pena, Foi realmente inspirador vivenciar essa experiência de uma comunidade delimitada geograficamente pelos limites da ilha, mas aonde cada um tem sua individualidade e liberdade, mas compartilham as alegrias em grupo. Valeu demais! Vamos embora mas sentiremos saudades especialmente da hospitalidade dessa gente e da beleza impar que tem a escócia.  




   



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Sustentabilidade na prática


Pela primeira vez  chegamos numa fazenda aonde o intuito do casal idealizador é a auto-suficiência. A fazenda é bem pequena cerca de 2ha. Estão no local há três anos, vivendo sem conexão de água e eletricidade. Toda água utilizada no campo provém da captação da água da chuva ( que no  Norte de Wales é garantido água o ano todo), e seguem o calendário biodinâmico que quase dispensa a irrigação, apenas em épocas de seca e plantas transplantadas e brotos.



Lá se notava uma preocupação com o que era orgânico, 85% dos produtos que eram comprados eram orgânicos e a maioria incentivando o pessoal local. Um verdadeiro privilégio poder comer todas essas delícias, acho que foi a primeira fazenda que realmente íamos colher nossas refeições, e assim basear nosso cardápio, felizmente chegamos na temporada dos morango! Comemos no café da manhã, com panquecas, com molho de chocolate, e depois da nossa colheita 14kg de morango passamos a noite fazendo geléias! Foi uma delícia.



A fazenda produz vegetais , flores e frutos que são vendidos para os mercados orgânicos da região e de uma maneira que me chocou e que é super comum aqui na Inglaterra o  "garage sale" literalmente uma mesinha que ela coloca seus produtos na beira da estrada com a tabela de preços e deixa uma latinha para as pessoas colocarem o dinheiro... Ou seja a pessoa que vem pela estrada, para vê o que quer, faz as contas e paga, Emma garante que dessa maneira além de mais prática, pois você não precisa ficar ali vendendo sua mercadoria, e também mais lucrativa, porque normalmente quando as pessoas não têm trocado elas pagam o valor cheio. Ao longo da mesma estrada tem outras vendinhas dessas, tem de mudas, de ovos, várias mesinhas, suas mercadorias e as latinhas ( eu não teria dúvidas que no Brasil, passaria algum malandro de bike só esvaziando as latinhas)


O casal bastante determinado e trabalhador começava a jornada bem cedo, às vezes antes das 6, soltando as galinhas, alimentando os porcos.  Mais um ponto interessante, há 1 ano eles passaram a criar porcos que os ajudariam a cavar e comer as batatas do ano anterior, e serviriam de alimentos no inverno quando a produção de alimentos não é suficiente para alimentá-los então tomaram essa decisão e deixaram de ser vegetarianos (estilo adotado há 25 anos, o que foi um choque para os três filhos que passaram a vida ouvindo deles as vantagens de ser vegetarianos).  Passavam o dia nas diversas atividades da fazenda, plantar, colher, regar, consertar, cortar o capim, fazer o feno, tirar as ervas, muitas vezes nem se lembravam da hora do almoço, e  ficavam no campo até anoitecer(o que no pico do verão ocorre entre 21 e22). 


Como se não bastasse isso Dave trabalha cuidando de pessoas especiais e fazendo jardins, e Emma toca um projeto lindo de jardim comunitário ( que tivemos o privilégio de participar), dá aulas e faz mestrado. Eu achava que fazia muitas coisas até conhecer ela.Super engajada também na cidadezinha de Llanidloes, organiza jardins comunitários e alotments ( para as famílias que não tem área para plantar em casa! )
e prendadíssima, faz todos os tipos de preserves ( conservas) ( picles, geleias, compotas, cordiais e sucos concentrados) além de produzirem cervejas, vinhos e champanhes, durante nossa estadia fizemos a champanhe de Elder flower, está nas receitas aqui no blog, e simplesmente divinooo!

A fazenda ficava próxima ao parque nacional ( uma antiga plantação de pinos que desistiram ou proibiram de cortar e fizemos uma trilha a nascente do rio Severn o maior da Inglaterra
Muito lindo o passeio foram 11 km cheios de cachoeiras e lindas paisagens, com direito a banho de lago, e vista ao mar e Normandia.

Foi sem dúvida uma das fazendas aonde presenciamos a maior dedicação e trabalho dos proprietários. Dava gosto de ajudar pois o prazer de ajudar a realizar um sonho traz uma satisfação imensa... Quando chegamos eles estavam 6 semanas atrasados, e conseguimos deixá-los no Prazo!  Maravilhoso poder ajudar pessoas que estão numa busca tão real de auto suficiência. Que vivem seus valores, e apesar de tão determinados vimos que o sonho de se viver da terra ainda está longe... eles planejam que o retorno dos investimentos e todo trabalho deve ser em 10 anos. Atualmente eles precisam de trabalhos fora, para manter e comprar as coisas da fazenda que só tem gastos! 






















sábado, 12 de setembro de 2015

Pérolas do Joaquim parte 2

A lógica do Capitalismo

Joaquim ganha seu primeiro pound numa feirinha de produtos Orgânicos local. 
Fiz uma festa! Uauuu Joaquim agora você tem dinheiro!! Depois da excitação inicial, ele olha a moeda e um bocado perplexo começam as primeiras indagações.... Mãe, pra que serve o dinheiro!?o que eu posso fazer com isso!? Eu explico para comprar as coisas... Ele logo pensa, Carros!? Posso comprar carros!? Respondo alegremente sim pode comprar qualquer coisa que você queira dentro deste valor! Animadíssimo, --então vamos numa loja de brinquedos Já! ( Como estávamos na feira estava bem cedo e a maioria das lojas ainda estavam fechadas) mas Joaquim estava determinado a comprar algo, voltando a feira um pouco frustados, ele decide que quer comprar um pão... Checo os valores e tinha um de 70p e com sorte acharíamos um Charity shop que tivesse algum carrinho de 30p para complementar a compra e conseguirmos o cumprir o sonho de comprar o carro próprio. Expliquei a situação para ele.
Estávamos felizes! Joaquim, então, decidido, escolheu o pão e deu a moeda para a mulher! Que lhe da o pão e o troco. (duas moedas uma de 20 e uma de 10) Joaquim parece bem feliz! Depois comendo o pão me pergunta, Mãe, quando eu for comprar o carro eu também vou ganhar mais dinheiro pra comprar outra coisa? Igual essa moça que me deu o pão e mais dois dinheiros!  🙏🏻💗o milagre da multiplicação!!! Lógica de criança é incrível. 

Achados e perdidos 

Joaquim chega triste ao celeiro um dia... Me fala. Mãe perdi minha sacolinha com todos meus brinquedos. Eu o acalmo e falo que só precisamos procurar direito. Achei que era uma boa hora de introduzir São Longuinho, o santo das coisas perdidas, que tanto me ajuda nessa vida!!! Explico que agente sempre deve procurar bem as coisas, lembrando os últimos lugares que vimos a sacola...  E que se ainda assim não encontrarmos podíamos pedir ajuda para o Seu Longuinho ( Como o chamo) que ele sabe onde esta tudo e ajuda os outros a encontrarem as coisas perdidas e com isso ganhar os adorados  pulinhos. Lanço a frase mágica: Seu Longuinho, Seu Longuinho se acharmos a bolsa de brinquedos do Joaquim lhe damos 3 pulinhos! 
Joaquim parece um pouco mais animado e confiante e diz: Ok mami então vamos la achar o meu Longuinho! 
De volta a Casa Joaquim começa a busca e logo me pergunta: Ué mãe cadê ele!? Meu longuiiiinho!? Cade você!? Kkkkkkk

Cozinhação 

Nessa última fazenda rolava um esquema de rodizio para cozinhar (Já que eramos um grupo de wwoofers ) Joaquim sempre via que tinha alguém responsável...
Um dia estávamos  fazendo o almoço e Joaquim encasqueta com a coral lentils, que ele ama pela cor laranja favorita, Mami essa  orange é delicious, huuuuum ( sim gente Joaquim já fala seu inglês, esta a coisa mais linda!!!) Aí, eu falo que sim, que iremos fazer as lentilhas... Mas ele não fica satisfeito com o modo que estamos fazendo... Com a marinada e molho de tomate... E fica bravo e diz batendo os pés, Mãe, hoje eu que vou fazer a cozinhação! Você não sabe fazer essa lentilha deixa eu te ensinar... Pega uma panelinha vermelha simpática arrasta a cadeira no fogão pede para ligar o fogo.... E joga as amadas bolinhas oranges na panela e começa sua alquimia, cheirando is potinhos de tempero faz caretas e nhecat para os que não gosta e manda ver os gosta! Mistura bem Poe a água da kettle e desce rapidinho colhe "jericão", e poe sal... Diz, esta pronto! E voilà temos lentilhas coral com canela e manjericão! Faz. Toda cena, Poe a panela na mesa, senta, se serve e come! Avalia, huuuuum ficou um pouco forte... Mas pensa e logo responde mas eu gosto de forte! E realmente ficou uma boa combinação! 
Raspamos a panela! Viva o mini chef !!!

Eterna criança

Estávamos andando, eu estava bem feliz e meio saltitante... Joaquim me observava... De repente, mãe você é uma criança grande não é!? Eu surpresa e bem feliz, exclamo! Siiiiiim sou! Quem te contou!? Ele para, pensa e responde, ahh mãe esse fui eu que pensei sozinho 


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Saudades

Ai que saudades de vocês!
Sei que estamos super atrasados aqui no Blog... Mas saibam que quando isso acontecer é porque estamos nos divertindo muito!
Muita coisa aconteceu aqui no último mês, estivemos em lugares fantásticos, em companhias maravilhosas...Aprendemos muitas coisas!
Gente está parecendo tudo um grande sonho.
Agora estamos na Ilha De Eigg, uma ilhota no norte da Escócia.

Vendo um dos programas favoritos do Pedro "mundo Visto do Céu" do Discovery, achamos essa ilha simpática com uma história incrível e inspiradora. Uma comunidade que recentemente comprou a ilha e esta reflorestando e a transformando em sustentável, com as paisagens cinematográficas da escócia...  Quero! Ficou a número um na lista dos lugares para irmos.
A grande surpresa é que encontramos uma fazenda de Eigg no site do WWoof! uauuuuuu! Não podíamos acreditar, mandamos e-mail, mas eles estavam lotados.... Mas não nos contentamos e escrevemos dizendo que realmente estávamos muito interessados e se alguém desistisse que nos avisasse.... De novo uma negativa... já estamos completamente cheios nesse período... Ok, e se alongarmos o período? Acho que viram que não desestiríamos, e por fim nos aceitaram! :)

Só não calculamos que estaríamos no extremo sul da Inglaterra justo antes de vir pra cá! Sim, foi um trampo chegar aqui... depois de pesquisar mil meios de transporte, jeitos mais rápidos e econômicos, alugamos um carro e depois de 12 horas de estrada chegamos ao cais! Mais 1 hora e meia de ferry e chegamos ao nosso destino! Ainda nem completamos a primeira semana e já sinto que valeu a pena vir aqui!

Estamos acomodados na melhor caravana até agora, temos aquecimento, energia, cozinha e wifi! Além de uma cama king size e um quartinho para joaquim. Temos uma vista incrível para o mar, aonde vemos o por do sol. Estamos na casa de um dos líderes da comunidade e é tudo verdade! São sim uma comunidade aproximadamente 100 pessoas, a ilha é toda orgânica, tem energia renovável própria tem projetos de reflorestamento com voluntários e é maravilhooooosa, parece uma chapada!

Lindo demais!

contaremos mais detalhes a frente!

Estamos muito felizes! Joauqim está ficando muito bom no inglês e está feliz da vida com a vinda dos avós eminente!
Devagarinho vamos postando mais coisas... em breve teremos reforços para nos ajudar nos posts. A querida Maria, que também esta viajando por ai vai postar as experiências dela com o wwoof por aqui. Ahhhh e tem muitas receitas pra sair do forno.... MUUUUItas... estou me segurando pois isso aqui está virando mais um blog de cozinha que de viagens... e a idéia não é essa! Mas estamos fazendo, comendo e aprendendo tantas delicias, que não consigo não compartilhar!

Não estou conseguindo colocar as nossas fotos... mas peguei umas no meu amado pinterest!


um beijo enorme!